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Chiapas, o Legado Vivo dos Maias

SAN CRISTÓBAL DE LAS CASAS E ARREDORES | Viagem ao México – Parte 5


Tínhamos um longo dia de viagem pela frente. Saindo de Oaxaca, dirigimos 600 km com destino à cidade de San Cristóbal de las Casas, no Estado de Chiapas, o mais pobre do México, onde um terço da população descende dos Maias. A paisagem foi aos poucos mudando, até entrarmos em uma região com ares de selva, transposta por estradinhas sinuosas em meio às montanhas. 



O Estado de Chiapas ganhou especial notoriedade a partir de 1994, quando o Movimento Zapatista tomou diversas cidades da região e desencadeou conflitos entre seus militantes e o governo mexicano. O movimento é uma referência a Emiliano Zapata, importante personagem da Revolução Mexicana de 1910, reconhecido por defender os direitos dos agricultores pobres.

Apesar de hoje a poeira já ter baixado e os conflitos aparentemente terem cessado, encontramos pelo caminho diversas barreiras do exército mexicano, algumas com direito a inspeções criteriosas em nosso carro.


San Cristóbal de las Casas


Depois de muito chão, chegamos por volta das 21:00 a San Cristóbal de las Casas. Nos hospedamos em uma pequena pousada bem no centro histórico e fomos aproveitar o resto daquele dia para esticar um pouco as pernas. Pela primeira vez na viagem nossos agasalhos foram resgatados do fundo das mochilas, efeito dos 2.500 metros de altitude da cidade.  


Foto 081 - O centro de San Cristóbal de las Casas é marcado pelas fachadas características em estilo colonial espanhol e pelas ruas estreitas, muitas delas conservando o calçamento original de pedra.


Foto 082 - A cidade chegou a ser capital do Estado até 1892. Hoje é considerada a capital cultural de Chiapas, muito em função do legado indígena da sua população.

Foto 083 – San Cristóbal está localizada em um vale, cercada pelas montanhas de Chiapas. 

Foto 084 – A fachada da Igreja de Santo Domingo, do século XVI, é uma das mais trabalhadas da América Latina. O templo é um dos destaques arquitetônicos de San Cristóbal de las Casas. Pena os vendedores ambulantes não terem contribuído com a minha causa, poluindo a foto com as lonas das suas barracas.

Foto 085 - Uma semana havia se passado desde a páscoa e naqueles dias a cidade estava em uma espécie de feriadão. Em função disso as noites andavam movimentadas, com apresentações culturais na praça central. Esses garotos apresentaram-se tocando marimba, uma espécie de xilofone, instrumento que por sinal vimos bastante pelo México.

Foto 086 - Esta dançarina integrava um grupo cubano de Salsa, que também se apresentou na praça da cidade.


Vilarejos Maias - San Juan Chamula


A partir de San Cristóbal, tomamos parte em uma visita guiada a dois vilarejos indígenas que ficam nos arredores da cidade. Nossa primeira parada foi em Chamula, cujos habitantes descendem diretamente dos Maias e vivem estritamente segundo os preceitos, tradições e costumes dos seus antecendentes. Um fato que chama especial atenção é o nível de autonomia da cidade, onde até mesmo as leis locais se sobrepõem às leis do restante do país. 


Foto 087 - Um dos lugares visitados foi o Cemitério de Chamula, repleto de cruzes de diferentes cores e tipos, segundo o guia, aplicadas conforme idade, sexo ou status da pessoa ali enterrada. 

Foto 088 – Aparentemente as cruzes eram usadas na região mesmo antes da chegada dos espanhóis e do cristianismo. Seriam, portanto, cruzes maias, não relacionadas à cruz de Cristo, mas dotadas de todo um significado mitológico envolvendo a origem da humanidade e do universo.

Foto 089 - Ainda mais intrigante é a igreja de San Juan, construída em estilo colonial como templo católico. No entanto, a comunidade de Chamula pratica uma forma própria de religião, que mescla antigos rituais maias com o catolicismo dos espanhóis. O interior, portanto, em nada mais lembra o de uma igreja católica. Não há altar e nem bancos e o chão é todo coberto com palha verde. A tênue luz que ilumina o ambiente provém quase que totalmente de centenas de velas coloridas que estão por toda parte. Alguns curandeiros atendem famílias que vêm em busca de tratamento para males do corpo e da alma. No ritual de cura, os enfermos se ajoelham no chão e depositam os “remédios” prescritos, que podem ser velas de tamanhos e cores específicos, flores, penas de aves ou mesmo animais para sacrifício. Velas são acesas, alguns goles de bebida cerimonial são ingeridos e alguns pescoços de galinha são quebrados, enquanto rezas vão sendo proferidas no idioma local. 


Vilarejos Maias - San Lorenzo Zinacantan


A 7 km de Chamula fica Zinacatan, outra cidade de população indígena que se prende firmemente às tradições e costumes de seus ancestrais. Assim como sua vizinha, os habitantes usam o idioma Tzotzil, uma das muitas variações das línguas maias.


Foto 090 - A marca registrada da comunidade de Zinacantan é a indumentária típica que os seus moradores usam no dia a dia. São tecidos coloridos, com destaque para o azul, o vermelho e o lilás, e ricamente trabalhados - quase sempre com motivos de flores.

Foto 091 - Dois rapazes preparando fogos de artifício artesanais, que logo depois foram explodidos em praça pública, gerando um barulho ensurdecedor que ecoou por meio México. Não há mais qualquer dúvida quanto a isso: mexicanos adoram um estouro de pólvora!

Foto 092 - Por fim, o guia nos levou até a casa de uma família local, onde tivemos a chance de testemunhar algumas atividades típicas dos moradores da cidade. Esta moça preparava umas tortillas à moda antiga. Provamos o alimento junto com alguma bebida de alto teor alcoólico cujo nome não me recordo.

Foto 093 - As mulheres são, via de regra, hábeis tecelãs. Todas as peças coloridas vistas pelas ruas costumam sair deste tipo de tipo de tear, que trabalha preso às costas do operador, aparato usado há séculos pelos indígenas mexicanos. 

Foto 094 - A matriarca da família expõe algumas peças para serem admiradas e, se calhar, serem compradas pelos visitantes.

Foto 095 – E assim vão vivendo. De geração em geração, a cultura dos Maias perpetua-se entre seus descendentes. E deste modo, vai se mantendo viva através dos séculos. 


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Sobre o Autor:
Robson Dombrosky , engenheiro, motociclista e aventureiro. Um viajante deveras curioso, que sempre percorre seus destinos munido de um bloco de notas e de uma bela câmera fotográfica.

7 comentários :

  1. Acabo de sentir novamente (psicologicamente) o cheiro que preenchia o interior daquela igrejinha... (foto 089)

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    1. É verdade, eu ia comentar isso na postagem mas acabei esquecendo.

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  2. Estou acompanhando toda a sua viagem pelo México. Esta série pode até virar um livro pela excelência das reportagens.

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    1. Oi Adelaide, obrigado pelas visitas e por esse seu comentário, que me deixa lisonjeado! Quem sabe né?

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  3. Robson,

    Uma delicia Chiapas, as pessoas, o aroma...fui em fevereiro e estou retornando. Se eu pudesse escolher um lugar para viver o resto de minha vida esse seria o eleito. Amo o Mexico, de todo meu coração.
    Aquele verde e todas as outras cores, é tudo tão incrivelmente forte, e a mansidão das mulheres, a tranquilidade da maternidade, as crianças girando no entorno das mães na praça de Santo Domingo, e elas lá tranquilas dando o peito, bordando... e em nenhum momento perdendo a paciência com as crianças. San Cristobal, o centro cultural, a musica, as catrinas, tudo muito cheio de vida.

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  4. Olá Robson!
    Você mencionou que o guia levou vocês até o cemitério, as casas locais, etc. Onde você contratou a excursão? Foi particular ou em grupo? Você dormiu em San Cristobal depois de visitar essas duas cidades (Chamula e Zinacatán)?

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    1. Olá Carol. Achamos o guia na praça central, em frente à igreja principal. Ele ficava lá tentando caçar clientes. Junto conisco foi mais um casal que tb apareceu na hora. Dormimos num Hostel na própria cidade (SCDLC).

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