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Como Tirar Boas Fotos sem Curso de Fotografia

DICAS PARA DEIXAR SUAS MELHORES FOTOS COM CARA DE FOTOGRAFIA PROFISSIONAL


Vilarejo à beira da Carretera Austral
Patagônia Chilena
Quando pesquisamos a história da fotografia, acabamos percebendo como ela pode ser comparada à música e a pintura como forma de expressão artística. E de maneira semelhante ao que ocorre nessas outras áreas, para que bons resultados (neste caso, boas fotos) possam se tornar realidade, é necessário que haja alguma dedicação ao assunto por parte de quem fotografa. Mesmo se tivermos em mente que belas imagens estão mais relacionadas à sensibilidade e ao olhar do fotógrafo do que qualquer outra coisa, sempre que alguém se dispõe a compreender a teoria envolvida no ato de fotografar, muito provavelmente passa a ter chances maiores de obter bons resultados.

Quando olhamos para uma fotografia, imediatamente sabemos julgar se aquela imagem nos agrada ou não. Em outras palavras, é sempre muito fácil para qualquer um diferenciar uma foto que considera boa de outra que considera medíocre, mesmo que eventualmente desconheça as razões de sua escolha. Para estes casos, fica então a pergunta no ar: qual a razão para uma determinada fotografia me agradar e outra não? Quais elementos contribuem para que uma foto acabe sendo apenas mais uma na multidão ou que venha a se destacar dentre as demais? Se você está sempre por trás de uma câmera em busca de belas imagens, saiba que conhecer esses elementos pode facilitar bastante a tarefa de alcançá-los, o que certamente vai refletir diretamente na qualidade dos seus registros. Mesmo tratando-se de um assunto vasto e cheio de desdobramentos, destaco a seguir alguns pontos chave que, no fim das contas, poderão ter grande impacto na definição da qualidade das suas fotos:

Atenção à Composição da Cena


Em primeiro lugar, para que uma fotografia se torne interessante, ela deve ter uma boa composição, ou seja, a cena retratada e os elementos que compõe o quadro devem estar balanceados entre si, criando uma imagem harmoniosa e agradável ao olhar. É importante também que exista um ponto principal de interesse na imagem e que este seja facilmente identificável, despertando de imediato a atenção do observador. Se existirem elementos adicionais, estes devem possuir uma boa interação com o motivo principal, caso contrário, esses elementos acabarão servindo apenas para poluir a cena, gerando distração e desviando o foco do observador. Veja, por exemplo, as duas fotografias a seguir:


Olhando esta primeira imagem, percebe-se claramente que o carro vermelho era o motivo principal da foto. Nesta imagem, ele aparece posicionado bem no meio do quadro, uma grande tendência instintiva da maioria das pessoas ao tirarem fotos. No entanto essa abordagem nem sempre traz os melhores resultados em termos de composição, como constataremos a seguir. Neste exemplo, há um belo bloco de sal na parte de baixo da foto, mas ao invés de contribuir para a composição da fotografia, da forma como aparece está servindo apenas para criar uma distração desnecessária.


Agora veja esta imagem e compare com a anterior, qual delas lhe agrada mais? Imagino que vá selecionar a segunda, pelo simples fato dela aplicar os conceitos comentados no parágrafo anterior. Perceba como uma ligeira mudança de enquadramento foi capaz de reposicionar os blocos de sal, agora colocados em cena em uma posição balanceada em relação ao carro. Ao invés de poluir, passaram agora a contribuir para a composição de uma imagem balanceada.

Além de um motivo interessante e da interação deste com possíveis elementos adicionais, o ponto de vista sob o qual a cena é observada também faz toda a diferença. Se você tem diante de si um objeto que pretende fotografar, sempre existem duas opções: simplesmente apontar a câmera em direção a ele e disparar a foto feito um robô, ou então buscar possibilidades de ângulos para a foto diferentes do campo de visão de qualquer transeunte. Assim, sua foto terá muito mais chances de surpreender o observador, o que certamente fará sua imagem destacar-se entre muitas outras.



Nesta primeira imagem, vemos o resultado de uma foto tirada por impulso: simplesmente me aproximei do caminhão, apontei a câmera e cliquei. Pronto, foto tirada, missão cumprida. Mas será que não dava para fazer melhor do que isso? Além de o assunto ter sido retratado de uma posição desfavorável em relação ao sol, a imagem foi captada sob um ponto de vista bastante comum, tornando-a morna e sem graça. Tendo me dado conta da falha, pensei durante alguns segundos e em seguida tirei a foto seguinte.


As duas imagens do caminhão mostram como uma pequena variação no ângulo da cena pode tornar a foto muito mais interessante. Além de utilizar o lado do caminhão que estava iluminado pelo sol, tudo que tive que fazer foi chegar mais perto do assunto e me agachar, aproximando a câmera do chão, o que acabou retratando o objeto de um ponto de vista diferente do que nossos olhos normalmente estão acostumados a captar. Isso não quer dizer que uma fotografia tirada ao nível dos olhos não teria sido capaz de surpreender. A mensagem é que se queremos um bom resultado, não devemos tirar fotos apenas com o dedo, mas também com o cérebro. Essa é a chave do negócio: observar – pensar – compor – clicar.

Existe muita teoria relacionada ao estudo da composição na fotografia, mas pessoalmente, confesso que não costumo me prender muito a elas, com exceção de alguns princípios e diretrizes básicas tais como estes que acabei de abordar. Digo isso porque nessa área as coisas tendem a funcionar de forma meio intuitiva: é você olhar para a cena e conseguir ordená-la de uma maneira que se torne interessante. Aqui vale muito treino para apurar seu olhar e aperfeiçoar sua capacidade de enxergar boas composições. Mas sim, leitura também ajuda muito.

Luz – Qualidade e quantidade


Após se preocupar em obter uma foto com boa composição, outro ponto chave para que a sua imagem se torne bonita são as condições da luz sob a qual ela será capturada - basicamente a quantidade e a qualidade da luz ambiente. Já vimos no exemplo anterior como diferentes condições de luz podem mudar as características da foto. Se você começar a ler bastante sobre fotografia, vai logo se dar conta que todo mundo só fala disso: LUZ. Nada mais sensato, afinal a própria palavra fotografia vem do grego e significa “desenhar com luz”, uma clara analogia aos grandes mestres do pincel, com a diferença que aqui, a tinta dos nossos quadros é a própria luz.

Quando falamos em qualidade da luz, entramos em um campo relativamente vasto, que envolve questões abstratas e subjetivas, mas também conceitos de Física pura. Ótima notícia, afinal, Física sempre foi mesmo o sua disciplina favorita no colégio, não é mesmo? Ok, suspeito que talvez possa não ser o seu caso, então por hora fiquemos com uma dica básica, mas extremamente importante: uma foto ao ar livre tem muito mais chances de ficar bonita se for tirada com o sol baixo no horizonte. Isso porque quanto mais baixo o sol, mais alaranjada vai ficando o tom da sua luz, criando um “clima de aconchego” aos olhos. Sabe aquelas fotos estonteantes de paisagens que você costuma usar como papel de parede no seu desktop? Pode ter certeza que bem uma 90% delas foram tiradas de manhã cedo ou pouco antes do sol se por. Veja, no exemplo a seguir, um teste para verificar a influência do horário do dia no aspecto da fotografia. As duas imagens a seguir são idênticas em tudo, apenas uma foi tirada ao meio-dia e a outra foi tirada algumas horas depois, já no final da tarde.


Esta primeira imagem foi capturada pouco após o meio-dia. Neste horário o sol está alto e sua tonalidade não é tão atraente. Além do mais, a imagem fica com um aspecto de “achatada” pois a luz não contribui para revelação dos contornos e formas do assunto retratado.


Já esta segunda imagem foi retratada no mesmo dia e a partir do mesmo local da foto anterior, mas algumas horas depois, pouco antes do sol se por. Observe como os tons são mais agradáveis, além do que o sol baixo no horizonte foi capaz de revelar muito melhor as formas do prédio e da chaminé.

Temos então uma boa qualidade de luz, mas como dosar a quantidade adequada? Essa medição, denominada “fotometria”, é feita automaticamente pela câmera, que a partir da interpretação das condições do ambiente, determina imediatamente antes do disparo a melhor exposição para a foto que está sendo tirada. Este é um assunto primordial na fotografia e requer vários desdobramentos que serão abordados em textos futuros, mas tentando resumir tudo em uma única frase, podemos dizer que uma boa foto precisa ter a exposição (quantidade) correta de luz, caso contrário, tanto uma imagem superexposta (clara demais) tanto uma subexposta (escura demais) acabará com uma má definição de cores resultando em uma imagem ruim. Veja os exemplos:


A imagem da esquerda claramente está escura demais (subexposta). Nesse caso, apesar de alguns pontos mais escuros da foto como o céu e as montanhas estarem com bom aspecto, perceba como o excesso de brilho acabou “escondendo” os detalhes da cerca e da parede da igreja. A imagem do meio, neste caso é aquela que possui a exposição mais adequada dentre as três e normalmente é o que a câmera obtém. Atualmente, qualquer máquina fotográfica é capaz de fazer automaticamente todas as medições necessárias e determinar a exposição correta para o registro de uma boa imagem, desde que as condições de luz sejam favoráveis. Nesses casos, quase sempre é possível se obter excelentes resultados com qualquer tipo de câmera.

E por falar em tipos de câmeras...


Pois bem, você observou todos os pontos anteriores e tirou uma foto que tinha tudo para ficar bonita: a luz era boa e você caprichou na composição, mas havia uma grande parede branca na cena refletindo a luz do sol e por algum motivo a foto ficou escura. Além disso, o assunto principal parece ter ficado meio fora de foco, você jura de pé junto que fez tudo certo, mas a imagem simplesmente não está legal. A sua câmera por algum motivo parece não ter sido capaz de interpretar a cena da melhor forma possível e a foto nem um pouco lembra a beleza que seus olhos viam no momento do clique. E agora, como fazer para “mostrar” para a câmera de que forma você deseja que ela interprete as condições do ambiente, de modo que a próxima foto fique do jeito que você imagina? Essa é a deixa para entrarmos em outro ponto a ser discutido em um próximo artigo, que diz respeito às diferenças entre uma câmera básica totalmente automática e as câmeras com mais recursos, não necessariamente as profissionais, mas aquelas que já te permitem assumir o controle da situação. 

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Sobre o Autor:
Robson Dombrosky , engenheiro, motociclista e aventureiro. Um viajante deveras curioso, que sempre percorre seus destinos munido de um bloco de notas e de uma bela câmera fotográfica.

18 comentários :

  1. Olá. Sou Marcos Pereira, lá do Fórum Mochileiros. Também sou aprendiz de fotografia e gostaria de compartilhar um pouco do que aprendi na teoria. No primeiro exemplo, concordo com suas observações. No entanto, me parece melhor que o carro estivesse no primeiro terço da foto. Isso não só respeita a regra dos terços, como faz o observador seguir a trajetória que o carro tem a percorrer, aproveitando todo o espaço negativo da foto.

    No segundo exemplo, o re-enquadramento causou não só o surgimento de linhas diagonais, como ajuda a perceber profundidade.

    No terceiro exemplo, a fotometria correta depende muito do que se quer focar. Se fossem as montanhas no fundo, a terceira foto parece ter uma melhor exposição. Isso é importante justamente nessas fotos de alto contraste. Para um equilíbrio, buscando a melhor exposição tanto da igreja quanto das montanhas, duas alternativas interessantes. Uma, a edição do RAW da imagem, se houver, no software que você preferir, corrigindo-se as sombras ou outros itens. Outra, o uso de HDR.

    Apenas meus "2 centavos". Ótimo blog, parabéns.

    Abraços.

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    1. Marcos, obrigado pelas excelentes observações! Pelo jeito tem se dedicado bastante ao estudo das técnicas de fotografia. Alguns tópicos que você mencionou ainda pretendo abordar mais adiante em outros artigos, mas sua contribuição foi bastante enriquecedora! Um abraço e volte sempre!

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  2. Olá, sou aprendiz de fotografia. Parabéns pelo BLOG,realmente a composição faz a diferença. Fiz um curso básico e tenho interesse em agregar mais conhecimentos.

    Abraço,

    Moacir

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    1. É isso aí Moacir, princípios básicos assimilados, agora é praticar para cada vez mais aperfeiçoar a técnica e apurar o olhar. Abraços!

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  3. Jeová Marinho: Sou um apaixonado por fotografia e pretendo me ingressar nesta carreira. Não sabendo por onde começar, vivo procurando dicas na internet, e confesso, o que acabei de ler, sem dúvida é o que procuro e certamente irá me ajudar muito na minha impreitada. Parabéns pelo blog

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    1. Eu também comecei assim Jeová: lendo artigos diversos na internet, que por sinal está cheia de excelente material de aprendizado.

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    2. Parabéns pelo blog e iniciativa, aguardo próximas dicas, obrigado.

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  4. Valeu pelas dicas.
    Comprei uma semi profissional e estou pegando o jeito e com dicas iguais as suas eu acho que logo estarei tirando boas fotos.

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    1. Isso mesmo, agora é praticar bastante, que a melhoria é consequência.

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  5. Possuir uma câmera não é suficiente para ser fotografo até que você saiba como fazer o melhor uso do seu equipamento. Mesmo com a câmera mais simples, uma pessoa com algumas leituras, dicas e truques de fotografia nelas sugeridos pode produzir fotografias excelentes.

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    1. Exato colega, é exatamente isso que comento no artigo seguinte ao desta série: http://www.viajenaimagem.com/2012/10/cameras-digitais-e-seus-donos.html
      Um abraço!

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  6. Olá Robson. sou o Tiago Vieira da cidade d e Pirassununga, interior de São Paulo, inicie uma oficina de fotografia tive a primeira aula, e com essas dicas creio que nas próximas estarei mais familiarizado com termos técnicos e etc., parabéns pelo blog e continue postando dicas para nós amantes da fotografia.

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    1. Oi Tiago. Isso mesmo, assim que se faz, agora basta seguir praticando para cada vez mais melhorar a tecnica. Obrigado pelo coment'arios, espero escrever novos artigos sobre o tema em breve!

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  7. Eu só tiro fotos durante os passeios em familia, quando clico devagar no botão do obturador o meu pai diz sempre , "- tanta demora para tirar foto" quer seja a paisagem, quer seja a pessoas! Por isso quando tiro a pessoas, são raras que as fotos não saiam desfocadas por impaciência dele! Quando tiro a paisagens, nem lhe ligo! Alguém tem algum dica de tirar foto a pessoas impacientes? eu tento tirar-lhe a ele quando ele não está a reparar!

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    1. Oi Ana. Suas fotos podem estar saindo desfocadas por dois motivos: ou ou é problema de foco mesmo ou então velocidade muito baixa do obturador. Como você disse que a causa é a impaciência das pessoas tem uma boa chance de ser a segunda hipótese. Tente então aumentar o ISO para garantir velocidades bem altas, tipo 1/200 segundos ou mais.

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  8. não sou profissional, mas amo foto…
    Vc indica uma máquina semi-profissional legal, estou querendo fazer um investimento e gostaria de uma dica…abraços

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    1. Oi Bruno. Uma boa opção são as câmeras dslr de entrada da Nikon ou da Canon, por exemplo, a Nikon D3200.

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