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Sobre Câmeras Digitais e Seus Donos

CANON OU NIKON, COMPACTA OU PROFISSIONAL: EM TERMOS DE CÂMERAS FOTOGRÁFICAS, QUEM PRECISA DO QUE?


Qualquer fotógrafo bem sucedido, seja ele profissional ou entusiasta, só atinge a excelência após percorrer uma boa trajetória no mundo da fotografia. O início é quase sempre o mesmo: em algum momento da vida, não necessariamente na juventude, o indivíduo começa a tirar fotos descompromissadas, geralmente utilizando um equipamento limitado, mas suficiente para colocá-lo em contato com o mundo da fotografia. Aí, aos poucos, à medida que ele vai tirando fotos e mais fotos e toma gosto pela coisa, começa a manifestar um desejo de ir mais longe, de tirar fotografias cada vez melhores, de não mais fazer meros registros, mas sim produzir imagens capazes de levar adiante a sua identidade como fotógrafo. Quando esse momento chega, o indivíduo eventualmente se dá conta da existência de uma certa redoma de vidro sobre sua cabeça impedindo-o de voar mais alto. É a sua câmera que precisa ser substituída por um equipamento fotográfico que acompanhe sua evolução. 

Minha primeira câmera, uma Kodak Instamatic, fabricada entre 1971 e 1977

Hoje em dia, com a popularização das câmeras digitais, esse primeiro contato com o mundo da fotografia foi imensamente facilitado, e com ele o aprendizado, já que contamos com um feedback instantâneo daquilo que fazemos, além da possibilidade de realizar milhares de testes sem gastar com revelação de filme.  E de tão acessível, fala-se muito na banalização do ato de fotografar, onde qualquer pessoa tira centenas de fotos sem qualquer preocupação com a qualidade do material e, não satisfeito, distribui estas mesmas centenas nas redes sociais. Mas apesar desses reflexos dos “tempos modernos” da fotografia, uma coisa não vai mudar nunca: fotos de qualidade diferenciada sempre vão requerer conhecimento e talento do fotógrafo, pelo simples fato de que, independente de quão modernas e eficientes as câmeras fotográficas se tornem, elas sempre serão máquinas, apenas máquinas. E a boa fotografia captura não só uma imagem, mas um momento vivido por um ser humano, coisa que máquina nenhuma jamais será capaz de processar.


Praia Grande – Ilha do Marajó: uma fotografia “humanizada” tem a capacidade de transformar em coisa bela o que poderia ser um mero entulho na areia

E se hoje, ao contrário do passado, tirar fotos por vezes nos parece um ato extremamente simples e até banal, que caminho os novos fotógrafos de sucesso tem percorrido para adquirirem competência na área? Tal como antes, o cenário se repete bastante: a pessoa carrega consigo uma câmera fotográfica compacta e inteiramente automática (cada vez mais se usam os celulares), com a qual faz fotos casuais do dia-a-dia com família e amigos. A câmera é bonitinha e cumpre sua função. Mas eis que, dentro deste meio, surgem uns quantos que começam a gostar um pouco mais da brincadeira, e ficam com vontade de tirar fotos iguais àquelas da National Geographic. O que fazer para chegar lá? Investir em uma câmera profissional? Isto é o que muitos pensam, e para fala à verdade, é um raciocínio de certa forma válido, desde que haja uma boa contrapartida por parte do operador dessa câmera. Isso porque um equipamento mais avançado, tal como uma câmera DSLR, exigirá conhecimentos e habilidades bem além daquelas necessárias para apontar a máquina para um objeto e pressionar um botãozinho prateado. 

O que ela tem que eu não tenho? Se não souber responder não compre.

O que poucos sabem e muitos duvidam, é que a maioria das câmeras disponíveis no mercado hoje tem condições de tirar boas fotos, seja ela uma máquina simples, semi profissional ou uma reflex das mais avançadas. A diferença só começa a se tornar evidente quando a fotografia é realizada sob circunstâncias e situações mais específicas. E nessas situações, uma câmera profissional pesada e volumosa, além de uma potencial dor nas costas, não faz nada mais do que facilitar o trabalho de alguém capacitado para usufruir dos recursos que esse tipo de equipamento oferece. Neste caso, o fotógrafo fica livre para canalizar todo seu esforço na produção de uma fotografia criativa e de alta qualidade, mesmo em situações mais desafiadoras. Em outras palavras, uma câmera avançada dá asas ao pacote talento+conhecimento+prática, pacote este que necessariamente precisa existir no fotógrafo para que consiga extrair do equipamento todo o seu potencial.

Façamos agora uma analogia envolvendo o desempenho de carros distintos nas mãos de diferentes motoristas. Entregue um Fusca ao Nelson Piquet e um Porsche a um aprendiz de autoescola e coloque-os a competir em uma pista sinuosa. O aprendiz fará tempos semelhantes com ambos os carros, porque sua competência como motorista é limitada e não permite que ele tire o devido proveito das vantagens do Porsche. Por outro lado, o Nelson Piquet terá um desempenho infinitamente superior quando tiver o Porsche em suas mãos, pois sua grande competência como piloto lhe permite explorar a superioridade do carro esportivo frente ao competente, porém tímido Fusquinha.

Algo semelhante ocorre com o fotógrafo e sua câmera. Da mesma forma como o Piquet será capaz de andar a 140 km/h com um Fusca desde que esteja dirigindo ladeira abaixo, o bom fotógrafo também vai conseguir tirar excelentes fotos com uma câmera de bolso se as condições do ambiente forem favoráveis. Já com uma câmera profissional, o bom fotógrafo terá mais recursos para contornar condições desafiadoras, desde que esses recursos sejam dominados por ele. O aprendiz de autoescola com um Porsche nas mãos, em contrapartida, não vai conseguir manter alta velocidade em uma pista sinuosa, pois provavelmente vai errar o tempo das marchas e o traçado da pista, isso se não se esborrachar em alguma curva antes.

Mas voltando às câmeras, onde fica cada uma delas nessa nossa analogia automobilística? Vamos dividir todo o segmento do mercado em três grandes grupos considerando os quesitos desempenho e “prazer de dirigir”:

Da esquerda para a direita: um Fusca, um Opala e um Porsche

Para aqueles que querem algo mais do que fotos casuais da família e dos amigos e que dominam a teoria básica da fotografia, as câmeras “Opala” e “Porsche” permitem que você assuma o controle de diversos parâmetros de qualidade de uma fotografia, situação que permitirá explorar mais livremente sua capacidade criativa e também contornar condições fora do padrão para o qual as câmeras automáticas estão preparadas. Nesse sentido, uma câmera “Opala” já nos serve muito bem, pois mesmo sem oferecer o desempenho de um “Porsche”, já conta com os recursos necessários para que você consiga começar a ditar as regras de como sua foto será feita, ao invés de ficar à mercê das vontades de uma câmera totalmente automática, nesse caso, nosso Fusquinha.

Digamos então que você ainda não domine a teoria básica da fotografia, mas já foi fisgado por esta arte e sabe muito bem que vai passar a se dedicar ao assunto: chegou a hora de começar a considerar a aquisição de alguma câmera que te ofereça controles manuais de exposição (ISO, tempo de exposição e abertura do obturador), pois em outros artigos serão abordados mais especificamente a utilização desses controles manuais. Caso contrário, não há razão para aposentar seu simpático Fusquinha que, pensando racionalmente, sempre te levou onde você quis ir, sempre coube em qualquer vaga e nunca te deixou na mão.

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Sobre o Autor:
Robson Dombrosky , engenheiro, motociclista e aventureiro. Um viajante deveras curioso, que sempre percorre seus destinos munido de um bloco de notas e de uma bela câmera fotográfica.

4 comentários :

  1. Dombrosky,

    Realmente a coisa não é tão simples assim como voce muito bem revela: ter o melhor e mais sofisticado equipamento não vai fazer de você necessariamente um fotógrafo, por outro lado, é possível sim com uma máquina básica tirar fotos maravilhosas.

    Uma boa foto na verdade depende mais do seu sentimento quanto ao assunto que o equipamento que vc usa.

    Grande abraço,

    Nlson Soares

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  2. Caríssimo
    Sou um Busólogo, e neste movimento temos paixão por fotografar ônibus, tarefa que não é nada fácil, te peço como, da melhor forma fotografar um ônibus em movimento com uma sony steadyshot 14.1? e outra coisa. é impossível fotografar a noite em uma br sem flash????

    posta aí! abraço

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    Respostas
    1. Marcos, pelo que vi essa câmera é do tipo compacta "point and shoot". Você não terá nenhum problema em tirar excelentes fotos com ela durante o dia, mas durante a noite ela vai ser um pouco mais limitada e não irá dispor dos controles manuais de abertura e exposição. Não é impossível fotografar à noite e sem flash, mas você precisaria apoiar a câmera em um tripé para que a foto não fique borrada.

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