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Salto Angel - Encontrando a Maior Cachoeira do Mundo na Venezuela

VIAGEM À AMAZÔNIA – Parte 7


Na manhã de 21/05/12 cheguei a Boa Vista, depois de uma viagem noturna de ônibus a partir de Manaus. Eu não tinha grandes pretensões para a capital de Roraima, que figurava apenas como uma escala no meu caminho para a Venezuela, rumo ao Salto Angel, a cachoeira mais alta do mundo com seus quase mil metros de queda d’água. Chegar até esta maravilha da natureza, embrenhada na selva venezuelana, prometia não ser tarefa das mais fáceis, mas o fato de eu já estar ali no topo do Brasil contribuía em muito para torná-la mais acessível, ou melhor, muito mais próxima da minha realidade.


 
 Foto 182 - Boa Vista foi uma cidade planejada e erguida na década de 1940, por isso se diferencia dentre as capitais da Amazônia pelo seu traçado urbano organizado. Na Praça do Centro Cívico, destaque para o Monumento ao Garimpeiro, erguido em homenagem aos homens que contribuíram para o desenvolvimento do Estado de Roraima


 Foto 183 - Mas tal como previsto, logo no início do dia seguinte tomei mais um ônibus rumo ao norte, desta vez com destino a cidade de Pacaraima, já na fronteira com a Venezuela.


Foto 184 – Nada a reclamar da viagem de 220 km entre Boa Vista e Pacaraima.
 

Foto 185 - Mas a estrada que iniciara com uma cara ótima logo mudou de figura. Esta é a BR-174, que começa em Manaus e segue até o topo do Brasil, cruzando regiões de floresta amazônica e cerrado, até terminar na fronteira com a Venezuela.
  

Foto 186 – O trajeto passa também por áreas indígenas dentro do Estado de Roraima.


Foto 187 - Casinha de beira de estrada no extremo norte do Brasil
 

Foto 188 - Momentos de tensão, já bem próximo a Pacaraima, última cidade em território brasileiro.
 

Foto 189 - La linea, o único ponto da fronteira entre Brasil e Venezuela transposto por estrada. Após baldeação na pequena rodoviária de Pacaraima, segui em outro ônibus para a cidade de Santa Elena de Uairén, já em território venezuelano.


Passei o resto daquele dia em Santa Elena, sede do escritório de turismo que viabilizou minha ida ao Salto Angel. A próxima etapa rumo a mais alta cachoeira do mundo teria início ainda naquela noite, com mais uma viagem rodoviária, agora rumo ao centro da Venezuela até Ciudad Bolívar, de onde o trajeto prosseguiria por via aérea.
 

Foto 190 - Em Ciudad Bolívar, onde aproveitei algumas horas livres para passear pelo centro histórico. Mas eu mal tinha sacado a câmera da mochila e logo vieram duas pessoas (uma após a outra) me alertar sobre o risco de ser assaltado, fato que me tirou a vontade de fotografar, apesar do cenário convidativo, formado por casarões coloniais e carrões antigos.
 

Foto 191 - O preço da gasolina na Venezuela - praticamente gratuita, incentiva a população a rodar com esses beberrões da década de 1970. Para vocês terem uma ideia do preço do combustível por lá, um picolé me custou dez bolívares. Com essa mesma quantia eu poderia ter comprado CEM litros de gasolina em qualquer posto da cidade. É mole?!
 

Foto 192 - E o resultado não poderia ser outro: ruas entupidas de sucatas ambulantes que chegam a circular remendadas com fita adesiva para não se desfazerem por completo. E a disparidade no valor da gasolina ainda faz surgir um mercado negro de venda de combustível na fronteira com o Brasil: diariamente podem ser vistas filas dessas banheiras nos postos de Santa Elena, com único intuito de encherem seus enormes tanques para logo depois serem esvaziados no lado brasileiro.
 

Foto 193 - Pivô da independência venezuelana frente ao império espanhol,
 Simón Bolívar” tem uma estátua no centro da “Plaza Bolívar”, bem no centro histórico de “Ciudad Bolívar”, que é capital do “Estado Bolívar” da “República Bolivariana de Venezuela”. Isso é o que eu chamo de notoriedade!
 

Foto 194 - Mas como eu ia dizendo, chegar ao Salto Angel, uma das principais atrações turísticas da Venezuela, não é tarefa das mais simples, já que a cachoeira mais alta do mundo está embrenhada em um ponto isolado na selva. De Ciudad Bolívar embarca-se em um monomotor, vulgo “teco-teco”, para um voo de uma hora e meia até o vilarejo indígena de Canaima.
 

Foto 195 - Foi também a partir de um monomotor - este aí, para ser mais exato, que em 1933 o aviador norte americano Jimmi Angel avistou pela primeira vez uma certa cachoeira colossal, enquanto procurava pelo lendário “Rio de Ouro” em meio à selva venezuelana. Essa busca o fez retornar ao local em 1937, quando resolveu pousar no topo daquela cachoeira, pouso este que acabou danificando sua aeronave. Não havia escolha senão abandonar o avião por lá e voltar a pé para a civilização, coisa que só conseguiu depois de 11 dias caminhando pela mata.  As notícias desse acidente acabaram motivando o batismo da grande cachoeira com o nome de “Salto Angel”, em sua homenagem.
 

Foto 196 - A aeronave acidentada de Jimmi Angel permaneceu por mais de 30 anos presa na montanha, até ser resgatada de helicóptero em 1970 pelo exército venezuelano. Depois de restaurada, passou a ser exposta em frente ao aeroporto de Ciudad Bolívar.
 

Foto 197 - Mas de volta aos tempos modernos, eis me aqui, já sobrevoando o Parque Nacional Canaima. Sem acesso por grandes rodovias, a maior parte do transporte para lá é realizado por pequenos aviões ou de barco.
 

Foto 198 - Se eu fosse definir aquele voo em uma palavra, eu diria que foi “animado”, isso a julgar pelas gargalhadas constantes do piloto enquanto levava um papo com algum colega pelo rádio.
 

Foto 199 - Percebi que a tranca da porta do avião estava, digamos, desfalcada. Mas nada que o “jeitinho venezuelano” não se encarregasse de solucionar. Mas o alicate era de ótima procedência – um alívio.
 

Foto 200 - Com pouco mais de uma hora de voo já nos aproximávamos da comunidade indígena de Canaima, que é o ponto de partida para mais uma etapa da jornada até o Salto Angel, desta vez, de canoa rio acima até a base da grande cachoeira.
 

Foto 201 - Canaima é um daqueles lugares que a gente deseja não precisar deixar tão cedo.
 

Foto 202 - A comunidade é banhada pelo Rio Carrao, uma confluência das águas provenientes das montanhas da Gran Sabana Venezuelana, dentre elas o Salto Angel.
 

Foto 203 - Essa confluência forma a Laguna de Canaima e o Salto del Sapo, uma cachoeira que se destaca pela imensa vazão de água, especialmente durante a época das chuvas, que vai de maio a novembro.
 

Foto 204 - Indiozinhos Pemon, brincando à beira do lago Canaima.
 

Foto 205 - Uma arara saboreando um pedaço de manga oferecido por algum turista.
 

Foto 206 - Tudo muito bonito por aqui, mas tinha chegado a hora de iniciar a jornada rio acima até a base da montanha de onde despenca o Salto Angel.
 

Foto 207 - Em alguns trechos foi necessário seguir por terra, já que a canoa não podia superar as partes menos profundas do rio, ou aquelas com as corredeiras mais avantajadas.
 

Foto 208 - Durante três horas subimos o rio. Na proa ia um índio com a missão de guiar a canoa por entre as pedras das corredeiras que o barco eventualmente precisava superar. Na metade do trajeto começamos a avistar os Tepuys, nome indígena das montanhas típicas da Gran Sabana.
 

Foto 209 – Tepuy, que na língua Pemon significa “a casa dos deuses” é o termo local para descrever essas montanhas de características inigualáveis. Geologicamente constituem uma das formações mais antigas do planeta e destacam-se por suas paredes verticais e seus cumes praticamente planos.
 

Foto 210 - Apesar do belo visual durante todo o percurso, aquela canoa não era nenhum modelo de conforto (fora os banhos gelados ocasionais), de maneira que fiquei bem contente quando a navegação terminou. Estávamos quase lá, agora apenas uma trilha de pouco mais de uma hora nos separava da contemplação do Salto Angel.
 

Foto 211 - Missão cumprida! Aí estava o majestoso Salto Angel, ou Auyan-tepuy para os indígenas, a mais alta cachoeira do mundo com seus 979 metros de altura.
 

Foto 212 - A queda é tão alta que, dependendo da quantidade de água ou da força do vento, a água se transforma em uma névoa antes de tocar o solo.
 
A noite já se aproximava quando iniciamos o retorno pela trilha até o acampamento onde iríamos pernoitar. Junto com a escuridão, que fez o trajeto levar quase duas horas, veio uma chuva torrencial que acabou nos fazendo companhia durante todo o percurso. Passamos aquela noite dormindo em redes montadas sob um pequeno telhado, não sem antes assistir às tentativas mal sucedidas do guia em assustar os visitantes com lendas indígenas e histórias sobre espíritos que vagavam pela floresta.
 
Foto 213 - Na manhã seguinte, antes de iniciarmos o retorno a Canaima, fui me despedir do Auyan-tepuy, de onde o rio Churún, agora um tanto fortalecido pela forte chuva da véspera, despencava no abismo de quase mil metros. Acenei um até logo ao Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, o lugar que deixara de ser para mim apenas mais um daqueles alfinetes que a gente espeta no mapa-múndi, enquanto sonha acordado com o dia em que vai conseguir contemplar o lugar com os próprios olhos.


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Sobre o Autor:
Robson Dombrosky , engenheiro, motociclista e aventureiro. Um viajante deveras curioso, que sempre percorre seus destinos munido de um bloco de notas e de uma bela câmera fotográfica.

13 comentários :

  1. Oi, Robson. Tudo bem?

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie - Boia

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  2. Olá, cheguei aqui através do link no Viaje na Viagem.

    Muito legal seu post. As fotos ficaram muito legais.

    Realmente um aventura, mas deve ser uma experiência única ver de perto o Salto Angel!

    Até breve,

    Erika

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    1. Certamente Erika, como frisei no post, é um esforço que sem dúvida alguma vale a pena!

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  3. Belissimas imagens, gostei!

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    1. Obrigado Amelia. O lugar contribui bastante para a beleza das fotos. Abraço!

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  4. Parabéns pelas imagens!!! Pode dar a dica de alguma agência local que forneça o serviço completo a partir de Santa Elena

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    1. Eu fui com uma agência chamada "backpackers", que me transmitiu confiança e sempre respondia prontamente aos meus questionamentos.

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  5. Oi Robson, muito bom seu post e suas fotos estão lindas! Imagino que incrível foi essa viagem, é um dos meus próximos destinos, estou ansiosa a procura de dicas! muito obrigada


    grande abraço

    Maria Eduarda

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    1. Obrigado Maria Eduarda. É uma boa dose de aventura, o que na minha opinião acrescenta mais um ingrediente saboroso nessa passeio memorável. Desde já uma ótima viagem para você!

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  6. Não tem como subir lá no topo do platô?

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    1. Partindo de baixo não, a não ser talvez para escaladores experientes. Creio que existam trilhas indo por cima, mas seria um roteiro completamente diferente, um trekking e tanto.

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  7. Bom dia Robson.

    Muito bom seu post.
    Teria como vc passar mais informações quanto a empresa que vc contratou para sua viagem, tais como site, fone, e-mail, etc.

    Abraços

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    1. Olá Eduardo. O site da empresa que contratei é www.backpacker-tours.com
      Lá tem os contatos, te recomento verificar diretamente com eles as informações atualizadas para o tour.

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