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Belém do Pará - Centro Cultural da Amazônia

VIAGEM À AMAZÔNIA – Parte 1

O sol do dia 29/04/12 ainda nem tinha raiado direito e eu já estava nos ares, atravessando o país rumo à Belém – PA, no início daquela tão aguardada viagem pela região Norte, um Brasil que eu ainda não conhecia. Uma escala e algumas horas de voo depois, já era possível observar lá embaixo o verde da floresta amazônica, à medida que o avião ia se aproximando da capital paraense. De mochila nas costas, saindo do aeroporto, sou auxiliado por um rapaz que prontamente vem me informar qual ônibus pegar para ir ao centro e de quebra, ainda faz questão de me atualizar sobre os últimos casos de roubos a turistas na cidade. Ligeiramente alarmado com tão calorosa recepção, procuro filtrar as informações recebidas e sigo para o albergue previamente reservado. Pouco depois lá estava eu, batendo perna pelas ruas de Belém, em certos locais ainda receoso na hora de sacar a câmera fotográfica da bolsa, mas felizmente, sem precisar abrir mão de ir onde me desse na telha.


Foto 001 - Belém é uma espécie de portão de entrada para a Amazônia brasileira. Mesmo sendo uma metrópole de 1,4 milhões de habitantes, conserva uma identidade que lhe é peculiar, com ares de cidade portuária banhada pelas águas da Baía do Guajará, perto da foz do Rio Amazonas. Por conta de sua condição geográfica, o local foi um dos primeiros assentamentos portugueses na região, o que faz de Belém uma cidade de passado marcante, repleta de construções históricas.


Foto 002 - Uma visita a Belém quase sempre começa com um passeio à Estação das Docas, um espaço restaurado a partir de antigos galpões de ferro que um dia pertenceram às instalações do Porto de Belém. Renovado, o espaço passou a abrigar um aconchegante complexo gastronômico e cultural à beira rio, que serve de recanto tanto para turistas como para os moradores locais (parte deles, pelo menos).


Foto 003 – Marca registrada do lugar, os antigos guindastes da estação das docas foram fabricados nos Estados Unidos no começo do século XX. Hoje servem apenas para relembrar as origens do local como ponto de carregamento dos navios no porto.


Foto 004 - Não muito longe dali, também à margem da Baía do Guajará, fica o Forte do Presépio, nada menos do que o lugar onde a cidade de Belém (então denominada Feliz Lusitânia) foi fundada em 1616. Ao longo de três séculos o forte passou por várias modificações arquitetônicas, mas manteve sua função estratégica de defesa da cidade, condição que só foi abandonada no fim do século XIX.


Foto 005 - No interior das muralhas do Forte do Presépio ficam expostas antigas peças de artilharia e munição. Estes eram, portanto, os canhões que protegiam os interesses dos portugueses contra investidas de holandeses e franceses.


Foto 006 - A partir de 1997, o Forte foi requalificado como espaço cultural e passou abrigar o Museu do Encontro, que apresenta uma coleção modesta mas muito interessante sobre o início da colonização portuguesa na região, além de objetos indígenas da pré-história amazônica. Nos arredores do Forte estão as primeiras ruas de Belém, repletas de fachadas de casarões históricos do tempo em que os olhos da Europa estavam voltados para cá.


Foto 007 - Ao longo de sua história, Belém vivenciou momentos de grande plenitude e desenvolvimento, o maior deles ocorrendo entre 1890 e 1920, durante o chamado “ciclo da borracha”, quando o latex das seringueiras da Amazônia brasileira abasteciam toda a indústria automotiva que despertava nos Estados Unidos e na Europa. A cidade passou a receber calçamento nas ruas, sistema de esgoto, eletricidade e transporte público, além de todo um legado arquitetônico. Exemplo disso é a Praça do Relógio, que ostenta este belo exemplar de 12 metros de altura, oriundo da Inglaterra.


Foto 008 - Grande parte do legado arquitetônico pode ser visto na Cidade Velha – como é conhecido o centro histórico de Belém, verdadeira referência do patrimônio cultural do Pará.


Foto 009 - Hoje, apesar de cosmopolita e moderna sob vários aspectos, Belém não perdeu o ar colonial presente na Cidade Velha, facilmente identificada pelas fachadas dos casarões e igrejas construídos naquele período.


Foto 010 - E é nessa área da cidade que fica o Mercado Ver-o-Peso, um dos mais antigos do Brasil e o grande símbolo de Belém. Inalgurado em 1901, o mercado teve origem em um posto de tributação dos gêneros comercializados por aqui já no século XVII. O que é hoje a maior feira ao ar livre da América Latina, era naquela época a “casa de haver o peso”, onde os produtos comercializados eram pesados para arrecadação de tributos pelos portugueses. A estrutura metálica que vemos aos fundos desta imagem é conhecida como Mercado de Ferro e veio da Inglaterra, toda desmontada nos porões de um navio.


Foto 011 - Lá dentro funciona o Mercado da Carne, onde os peixes frescos são diariamente desembarcados de manhã bem cedo.


Foto 012 - O Mercado Ver-o-Peso inunda o ambiente com suas cores, aromas e sabores.


Foto 013 - Não há como não se impressionar com a variedade e a riqueza dos frutos da Amazônia, lindamente expostos no Mercado Ver-o-Peso. Os produtos regionais fazem da culinária local uma rica e interessante mistura gastronômica com forte influência indígena.


Foto 014 - Mais adiante, uma seção especialmente dedicada às plantas medicinais da Amazônia e seus respectivos derivados. São remédios, pomadas, perfumes, loções; uma infinidade de receitas destinadas ao tratamento de todos os males imagináveis.


Foto 015 - Ou dependendo da necessidade do “doente”, talvez possamos recorrer ainda a certos remédios para alguns males inimagináveis. Dentro desta categoria de fármacos temos, por exemplo, o “chama dinheiro”, ou então o “vence batalha”. Já para os corações solitários, o “pega não me larga” costuma ser tiro e queda...


Foto 016 – Um pouco mais afastadas da beira do rio, diversas construções históricas ainda podem ser vistas, mas não raramente ficam escondidas por trás de pilhas de camelôs ou fachadas judiadas. Este é certamente o caso da Igreja das Mercês de 1753, localizada em frente à Praça Visconde do Rio Branco, mais conhecida como Largo das Mercês.


Foto 017 - E já que entramos no assunto “igrejas”, chegou a hora de citar a Catedral Metropolitana de Belém, parte integrante do complexo histórico e religioso da Cidade Velha. A Catedral da Sé é uma das protagonistas na tradicional celebração do Círio de Nazaré, maior procissão católica do mundo. Todos os anos, desde 1793, a estátua de Nossa Senhora de Nazaré é trazida desde a cidade vizinha de Icoaraci em uma procissão fluvial até a Catedral de Belém. Na manhã do segundo domingo de outubro, após uma missa, mais de 1 milhão de pessoas se espremem nas ruas para acompanhar o translado da imagem até a Basílica Santuário de Nazaré, em um trajeto de 3,5 km. A imagem segue em uma carruagem puxada por uma corda de 400m de comprimento, que é disputada por milhares de mãos.


Foto 018 – Este é o interior da Catedral da Sé de Belém, que impressiona os visitantes com seu piso de mármore polido, seus dez altares laterais repletos de quadros pintados por renomados artistas europeus e um imponente órgão francês do século XIX.


Foto 019 - Outro ponto bastante tradicional e turístico no coração de Belém é a Praça da República, que costuma permanecer bastante calma durante a semana, mas ferve aos domingos com grande movimentação de artistas de rua e uma feira livre de artesanatos e comidas locais.


Foto 020 - Chegaram a reparar nesta fachada na imagem anterior? É o Teatro da Paz, inaugurado em 1878 e até hoje um dos mais luxuosos do Brasil, símbolo maior da prosperidade que Belém viveu durante a época áurea do ciclo da borracha.


Foto 021 – No hall de entrada, uma amostra do trabalho meticuloso de construção do Teatro, erguido e decorado com o que havia de melhor na época: mármore italiano, cristais franceses, pedras portuguesas e por aí vai. Tudo muito grandioso, à altura das exigências da high society da época.


Foto 022 – No Salão Nobre, chama atenção o piso feito em mosaico de madeiras de lei.


Foto 023 – Na sala de espetáculos, 900 cadeiras ainda conservam os materiais e o estilo da época da construção do teatro.


Foto 024 – E após viver o apogeu do ciclo da borracha que durou até 1920, o Teatro da Paz entrou em declínio, deixando de viver o glamour da época em que Belém chegou a ser  chamada de “a Paris na América”. Mas ele continua lá, belo e imponente, encantando visitantes e lançando luz sobre um tempo de esplendor  daquela que um dia foi a mais próspera das cidades brasileiras.


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Sobre o Autor:
Robson Dombrosky , engenheiro, motociclista e aventureiro. Um viajante deveras curioso, que sempre percorre seus destinos munido de um bloco de notas e de uma bela câmera fotográfica.

14 comentários :

  1. Oi, Robson.

    Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.

    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie - Boia Paulista

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  2. Muito bom ver minha morena Belém tão lindamente retratada. Parabéns!

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    1. Obrigado Candida. Bom saber que o post foi aprovado por alguém do lugar retratado!

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  3. Belas fotos...As cores estão incríveis!! O teatro ficou ótimo!!!!! Só por curiosidade..Qual é a sua câmera e lente?

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    1. Jusel, minha câmera atualmente é uma Nikon D80 com duas lentes: uma Nikon 18-200mm e uma grande angular Sigma 8-16mm, sendo que as fotos do Teatro foram todas feitas com essa Sigma. Obrigado pelos comentários e volte sempre!

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  4. Robson,

    Aguardo com grande expectativa os seus relatos pois estou querendo fazer algo parecido (ou região Norte ou Centro-Oeste) nas minhas próximas férias.

    Belas fotos!

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    1. Obrigado! Siga acompanhando que as próximas partes já estão a caminho!

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  5. Atravez destas belissimas imagens pude viajar um pouco pelo norte do Brasil, apesar de ter nascido neste pais me dou conta de que conheço tao pouco deste lindo e imenso Brasil, imcomparavel ! obrigada por ter permitido que eu "viajasse" um pouquinho com voce, até uma proxima viagem!

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    1. Amélia, infelizmente a grande maioria dos brasileiros não conhece a belíssima e riquíssima região amazônica. Mas quem sabe isso não começa a mudar, né?

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  6. Sou belenense e sou uma viajante dentro desse lugar com tantas influências culturais e ao mesmo tempo preserva aquilo que só existe aqui neste recanto da Amazônia Brasileira.

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  7. Olá Robson,
    Somos colegas de trabalho e não sabia deste seu site. Pesquisando na net sobre Belem e região, acabei por iniciar pesquisa em seu site e foi quando observei seu nome nas fotos. Foi de grande valia, estou indo dia 15 de agosto para Belem, Ilha de marajó e alter do chão em férias e pude conhecer um pouco dos lugares que pretendo ir e alguns outros que vc dá dica, como Algodoal que parece legal. Abraço. Eugenio-Porto Alegre/RS

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    1. Legal Eugênio, bom proveito! O norte é outro Brasil, uma viagem muito rica!

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  8. Oi, Robson! cara, seu registro está fenomenal! Parabéns e abraços, dum paraense e fotógrafo orgulhoso em ver sua cidade sendo primorosamente retratada!!!

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    1. Obrigado Victor, fico contente em saber!

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