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Afinal, por que viajar de moto?

Desde que comecei a viajar de moto, há uns poucos anos, os itinerários só fizeram crescer. A primeira grande viagem, a travessia do deserto do Atacama, no Chile, sacramentou de vez a decisão de, dali em diante, passar a fazer o possível para preencher os magros trinta dias de férias anuais com projetos parecidos. De início com uma Yamaha XT 225 e agora com a XT 600, alguns milhares de quilômetros já foram percorridos em pelo menos uma centena de tipos diferentes de estradas.



Quando falamos de motoviagens, estamos combinando dois ingredientes que interagem muito bem entre si que são, obviamente, viajar e andar de moto. A sensação de liberdade com o vento batendo no corpo, apesar de já exaustivamente descrita e enaltecida por uma infinidade de motociclistas mundo afora, continua sendo pauta obrigatória de dez entre dez histórias de motoviajantes. Também unânimes são os comentários que costumamos ouvir dos amigos e conhecidos: Cara, tu é louco! E não cansa? E não acha perigoso? Tentemos, como sempre, olhar a questão sob outro ponto de vista. Aos que não se limitam a sonhar acordados e aceitam certos desafios, muitas recompensas estão reservadas. Só para começar, belas paisagens cortadas por estradas que vão muito além do caminho nosso de cada dia para o “trampo” ou para a “facul”, constituem detalhes que definitivamente não deveriam ser irrelevados.


Ei! Mas se tudo gira ao redor de paisagens bonitas e novos caminhos, então não preciso necessariamente de uma moto para usufruir deles! Montanhas, praias azuis, campos verdes e atoleiros, lindos e pegajosos atoleiros. Não seria mais interessante ir ao encontro deles dentro de um luxuoso 4x4? Que tal um Land Hover com ar condicionado, frigobar e, quem sabe, até um mordomo no porta malas? Afinal, a tecnologia está aí, batendo à nossa porta. Qual a necessidade de recusar semelhante tentação? Paixão doentia por indiadas? Masoquismo? Síndrome de Indiana Jones?

A verdade é que quem vai de moto viaja na janela, e não no corredor. Quanto menos aparatos e facilidades existem à volta do viajante, mais contato ele tem com o local visitado. Muito se engana quem pensa que as únicas coisas às quais o motociclista está exposto são a chuva, o frio e as pontas de cigarro atiradas pelos motoristas de dentro dos carros. À medida que certas proteções saem de cena, saem também diversas redomas que nos separam do contato direto com os lugares visitados. Como redoma, leia-se, por exemplo, uma excursão cheia de adolescentes e seus fones de ouvido, que pegam um vôo de São Paulo a Santiago e são recolhidos por transfers de hotéis, que os levam para tirar fotos do chafariz da praça central da cidade. Alguns dias depois retornam felizes e satisfeitos por terem tido aquela ótima oportunidade de “conhecer o Chile”.

Pessoalmente, acredito que viajar significa muito mais do que passar dias relaxando em uma banheira de hidromassagem com um coquetel de frutas na mão. Logicamente, cada coisa tem o seu devido valor, mas a viagem parece adquirir um sentido muito mais completo quando se busca interagir com um meio deixando-se expor à cultura local. Para que isso seja verdadeiro, deveríamos partir sempre da premissa que sou eu, o visitante, quem devo interagir com o meio e não o contrário - minha presença não deve gerar uma interferência neste meio.

Se conseguirmos agir desta forma, acredito que a viagem terá sido muito mais completa e proveitosa. Depois disso, para quem ainda estiver interessado, uma sessão de fotos lá no chafariz poderá ser perfeitamente incluída nos planos.

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Sobre o Autor:
Robson Dombrosky , engenheiro, motociclista e aventureiro. Um viajante deveras curioso, que sempre percorre seus destinos munido de um bloco de notas e de uma bela câmera fotográfica.

6 comentários :

  1. nada como um mochilão nas costas, uma barraca e um saco de dormir dentro dele e boas pernas...! e a máquina fotográfica, pra tirar a foto do chafariz, caso esteja sobrando memória no cartão =oP

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  2. Léo Fernandes04/12/2008 09:59

    Incrível como o peso dos anos na mente e no corpo mudam nosso modo de olhar as coisas...

    É bom fazer estas loucuras na juventude para ter as memórias depois que nossas prioridades são outras.

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  3. Robson Dombrosky04/12/2008 21:27

    E olha que a juventude aqui nem anda mais tãããão jovem assim... Mas ainda tá valendo, creio que no mínimo por mais uns 10 anos, se Deus quiser!

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  4. Cara, esse texto me arrepiou, pois é assim que eu penso. Ter coragem para abandonar a comodidade do lar e viajar nessas condições é para poucos. Tenho orgulho por participar desse time, coloquei uma muda de roupa no alforge a esposa garupa e com o tanque da magrela cheio conhemos o atacama.

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  5. Nâo tem coisa melhor!
    estou programando uma trip dessa e cada dia que passa fico com motivos pilotar 6.500km e sorrir a viagem inteira kkkk>>>
    Bom de mais!!

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  6. É aventura pra quem unicamente sente prazer ao pilotar uma motocicleta.
    muito maravilhoso uma viagem de moto!!

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