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Passando Sufoco na Laguna Colorada, Bolivia

VIAGEM DE MOTO AO DESERTO DO ATACAMA NO CHILE - PARTE 7


Após um dia de molho no acampamento por causa do acidente mostrado na parte anterior, já com um gesso na perna direita e ainda mancando bastante, me aventurei em mais uma jornada por terras desertas, desta vez cruzando a fronteira com a Bolívia. Pretendia chegar até a Laguna Colorada, em um trecho que exigiria o máximo de cuidado e atenção. Devido a precariedade dos caminhos e a inexistência de sinalização, o risco de sumir em meio aos imensos campos altiplânicos é considerável. Posso afirmar que não me agradava nada a idéia de me perder, o que certamente me deixaria sem gasolina à mercê o friozinho gostoso que costuma fazer durante a noite a 4.900 metros de altitude.


Foto 165 – As modernas instalações do controle de fronteira Boliviano. Lá dentro do barraco, um quadro com a imagem de um sorridente Evo Moralez. Os dois policiais que me atenderam eram a cara do homem, se bobear procedem da mesma tribo...

Foto 166 – Ok, vocês conhecem a rotina: preencher papelitos, mostrar identificación... Dónde viene? Adónde va? Cómo está Ronaldo? 

Foto 167 – Pequeno vilarejo próximo à fronteira. Repare na pele das pessoas, tostada pelo sol, principalmente a das crianças. Na altitude a radiação solar castiga mais.

Foto 168 – Região de Sud Lipez: Terras “perdidas” e de belezas incríveis no extremo sul do país. 

Foto 169 – A face boliviana do vulcão Licancabur, aquele mesmo que era visto a partir de San Pedro de Atacama no Chile.

Foto 170 – Prova de fogo para o sistema de amortecimento da moto. Você que sempre sonhou em operar uma britadeira, quer conhecer a sensação? Pilote por 300 km nas “costelas de vaca” desta estrada. Só não se esqueça de levar consigo algumas ferramentas, para reapertar os parafusos que afrouxarem com a trepidação.

Foto 171 – Laguna verde, ainda perto da fronteira com o Chile e aos pés do Vulcão Licancabur. A presença de elementos como magnésio, carbonato de cálcio e arsênico dão esta coloração às águas.

Foto 172 – O flamingo é um dos principais integrantes da fauna local, encontrados em grande número, especialmente na Laguna Colorada.

Foto 173 – Alguma tradição mal explicada faz as pessoas empilharem pedras no caminho. Não cheguei a perguntar a razão disto.

Foto 174 – A Laguna Verde apresenta um curioso fenômeno de mudança de cor. Ocorre perto do meio-dia, quando os ventos mudam de direção, fazendo com que se revolvam os sedimentos ricos em magnésio depositados no fundo, responsáveis por tingir as águas com uma intensa cor turquesa.

Foto 175 – Caminhos desafiadores através da imensidão árida. A falta de sinalização me deixava receoso, exigindo atenção total, já que perder-se por estas bandas seria uma experiência única, mas da qual eu certamente abria mão. 

Foto 176 – Neste dia atingi as maiores altitudes da viagem, mais de 4.900 metros sobre o nível do mar.

Foto 177 – Vicunha, simpático habitante das regiões elevadas sul-americanas. Extremamente arisco, foge desesperado com qualquer aproximação, tornando difícil uma foto como esta, especialmente para alguém como eu, dono de uma câmera desprovida de lentes superdotadas.

Foto 178 – Já a lhama (ou alpaca?) é um tipinho mais bonachão que não se importa muito com os visitantes. Esta é inclusive domesticada, o que pode ser notado pelos lacinhos coloridos que seus donos sacanas colocam em suas orelhas. 

Foto 179 – Quase chegando. O tempo vai fechando e a tensão vai aumentando. 

Foto 180 – De cima de uma parte elevada já consigo enxergar ao longe as águas rosadas da Laguna Colorada. Trata-se daquela faixa estreita no centro da foto.

Foto 181 – Vestígios de terráqueos! Se alguém quiser fazer um filme representando algum planeta longínquo, a única providência necessária é arrancar esta placa.

Foto 182 – Consegui atingir o objetivo do dia, a Laguna Colorada, cuja coloração é atribuída a uma espécie de alga que prolifera em suas águas.

Foto 183 – Ela é densamente habitada por flamingos de penas rosadas, coloração adquirida por causa dos microorganismos que compõe sua dieta.

Foto 184 – Depósitos de sal nas margens do lago e depósitos de poeira nas roupas do piloto. Ótimo exemplo de “vínculo do homem com a terra”, assunto que estudei em uma aula de fundamentos antropológicos.

Foto 185 – Novamente uma sensação estranha, parecida com aquela sentida no deserto Chileno. Aqui, porém, ela veio com um que de macabro, que me deixou inquieto, sem conseguir relaxar. O céu cor de chumbo anunciava uma provável tempestade, e a tranqüilidade dos flamingos contrastava com meu sentimento de insegurança.

Foto 186 – É pessoal, creio que é melhor eu ir andando, minha mãe vai acabar ficando preocupada... 

Foto 187 – Esta foto foi tirada enquanto ainda caía uma nevezinha daquelas para turista ver, e eu, tupiniquim empolgado e desavisado, parava tranquilamente para fotografar a novidade. Alguns minutos depois uma verdadeira nevasca desabou sobre minha cabeça, restringindo a visibilidade para uns dois metros. E aí meu amigo... a graça acabou na hora, juntamente com a vontade de fotografar. Tratei de me escafeder dali, tendo que retirar a mão esquerda de dentro da capa protetora a cada 10 segundos para remover a neve que se acumulava sobre a viseira. Outra obrigação era evitar a perda da sensibilidade dessa mão, devido a exposição ao frio, pois precisava dela para o acionamento da embreagem. Não encontrei outra maneira de remediar o problema, senão ficar dando tapas na perna e aproximando o membro semi-congelado do cano de descarga, tudo isso enquanto acelerava o máximo que aquele projeto de estrada permitia. Este foi sem dúvida o momento mais tenso de toda a viagem, e por muito pouco não me perdi naquela imensidão completamente tomada pelo branco da neve.

Foto 188 – Me perder? Mas que paranóia a minha!

Foto 189 – Ufa... De volta ao asfalto, rumando ao acampamento em San Pedro. Me senti como se estivesse entrando em uma banheira de hidromassagem.

Foto 190 – A estrada despenca de 4.500m para 2.400m em poucos quilômetros. Ao longo da pirambeira foram construídos diversos pontos de escape, com caixas de brita para conter os caminhoneiros que mataram as aulas de física no colégio e acabaram não aprendendo nada sobre energia cinética. 

Foto 191 – Mau aluno.

Foto 192 – Não há sistema de freios capaz de segurar um caminhão de 30 toneladas embalado morro abaixo. Qualquer descuido pode ser fatal. Este provavelmente foi.

Foto 193 – Outro acidente, desta vez com uma jamanta repleta de carros que não venceu uma curva após a descida.

Foto 194 – E novamente o Licancabur, desta vez despedindo-se: Hasta luego brazileño!

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Sobre o Autor:
Robson Dombrosky , engenheiro, motociclista e aventureiro. Um viajante deveras curioso, que sempre percorre seus destinos munido de um bloco de notas e de uma bela câmera fotográfica.

5 comentários :

  1. Montanhas coloridas, lagos coloridos =D
    Uma verdadeira obra de arte!!!
    Estas fotos são quadros que deixam qualquer artista famoso no chinelo!!!

    Cris.

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  2. Como assim com gesso na perna?
    Hum, linda a foto 171, Laguna Verde.

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  3. Aguardando ansioso o próximo "capítulo"

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  4. Robson Dombrosky15/04/2008 20:43

    Cris
    Concordo contigo, os lugares parecem implorar para serem fotografados!
    Karin
    Pois é, isso mesmo... uma semaninha viajando com o cano branco.
    Francisco
    Ainda faltam 3 capítulos e o próximo já está no forno!

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  5. Tem que cuidar da perna oká?! =D

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